Enxergar além da janela é participar do que a natureza nos oferece ao olhar; é ver e ler a poesia além do nosso sentimento e da vida que nos cerca.
Boa leitura para você que nos visita!
Bilá Bernardes
Dona Maria Inocente dos Reis é uma senhora de 96 anos que reside onde minha filha trabalha. Recebemos o link que remete ao vídeo feito enquanto ela declamava o poema de Olavo Bilac: Pássaro Cativo. Vale a pena ouvir.
Armas, num galho de árvore, o alçapão.
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.
Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho
mudo, arrepiado e triste, sem cantar?
É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender.
Se os pássaros falassem,
talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer:
"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.
Da selva em que nasci; da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores, sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...
QUERO VOAR! VOAR!..."
Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...
O corte de Aparecida - SP,com suas vestimentas típicas, fizeram um show à parte. Aguardem os vídeos com as saudações dos capitães dos cortes quando se encontravam frente-a-frente. É lindo!
No último dia, um dos momentos interessantes foram as manifestações durante a manhã, no interior e na área lateral do santuário.
O encerramento reuniu em procissão pelas ruas da cidade, passando pelo Santuário de Nossa Senhora e seguindo em direção à Matriz, os 50 cortes que participaram da festa.
Alguns congadeiros quando descansavam enquanto aguardavam o momento de acompanhar a procissão.
Três irmãos, lado a lado nesses momentos de fé, dão o tom musical no Corte dos Vidal: Alexandre - Lagoa da Prata - Donizete e José Alves. Têm orgulho em participar dessa festa.
Esse casal veio da cidade de Divinópolis, uma entre muitas que enviaram seus congadeiros para dar mais brilho ao Reinado de SAMonte.
Este corte, sentado nas escadarias da Casa do Monsenhor Otaviano - Padrinho Vigário - descansa após delicioso almoço oferecido por festeiros a todos os 50 cortes de congado participantes além de convidados e visitantes.
Nas paredes e no altar de entrada do espaço onde servem o almoço aos congadeiros, posteres com imagens dos três padroeiros: Nossa Senhora Auxiliadora, São Benedito e Santa Efigênia. Nesse altar os capitães depositam as bandeiras das congadas durante o almoço.
Ao redor das mesas, faz-se o agradecimento pela alimentação que recebem todos. No dia 19, o Alex Buffet trouxe toda a sua equipe para oferecer o alimento aos 50 cortes e aos visitantes.